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27/10/2005

Há pouco, tive a triste notícia de que o pai do nosso PJotinha morreu. Aí tive uma recidiva da sensação brutal que a gente, infelizmente, experimenta, mais cedo ou mais tarde. É difícil, nestes momentos, dizer alguma coisa. Principalmente para mim, que ando querendo agarrar a fé com unhas e dentes, para que ela não me escape. Mas me deu vontade de escrever este texto que segue:

Silêncio

Morreram entes queridos,
ficou o silêncio, inabalável aos sentidos.
Este silêncio, que também é surdo,
é absurdo.
É ilógico pensar,
ter existido a palavra e ela se calar.
Este silêncio é ilegal.
Morrem gentes,
morrem cachorros amigos,
morrem hibiscos floridos.
Morre a natureza,
fica explícita esta imperfeição brutal.
Resta-nos a fé.
Acreditar que a morte não pode ser a única certeza
e supor um rearranjo geral.
Concordar que a morte é ilícita,
que há sinais,
que há indícios de canais maravilhosos na fé.
Agarrar a fé com unhas e dentes
e deixar a fé preencher esse silêncio enorme.
Aconchegar o silêncio numa oração.

Duca

Jornal de Cristal

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