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Querida Do Carmo, há tempos você me pediu algum texto meu. Este brotou de uma carinhosa provocação ingenuamente materialista de minha amiga Rosa Meilman.
Um beijo do primo José Eduardo.
 

Quando o olho de Deus se abriu
no manhã do sétimo dia da Criação
Ele viu que tudo que criara era bom,
e descansou.
Como a minha velha teologia me diz
que o tempo não existe para Deus,
que o passado e o futuro para Deus são presente,
tenho de saber que quando Ele viu tudo bom
não é que fosse míope: antes, fez um 'still',
congelou o tempo no tempo,
e mandou o escravo gago nos contar este detalhe,
como um recado direto:
"Vejam, seus pilantras, o que vocês fazem da minha obra perfeita,
obra gratuita de amor
que não era de minha obrigação fazer.
Eu podia viver muito bem
com meu espírito pairando sobre as águas da eternidade.
Eu sempre soube que seria assim mas,
o que fazer? Eu sou um Ser de amor,
assim escolhi, quando me criei no seio de mim mesmo.
Ao criá-los comigo, livres, fiz e paguei a aposta.
Perfeitos os fiz,
perfeitos os terei de volta
em um outro sábado.
Para vocês vai demorar, para mim não,
a eternidade é hoje para mim.
Por isso é que os amo,
apesar de toda essa bandidagem:
meu olho atemporal os vê como são/serão;
pelados, belos e puros."

(Copyright © 2003, José Eduardo de Lima Pereira.Todos os direitos reservados. All rights reserved.)

Faço disso uma homenagem a meu mestre, Gonça. E um preito de gratidão àquele que destampou a panela, Baruch Spinoza.


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