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Para Laura e Júlia
 


Foto enviada por Leonídia a Maria do Carmo, pela internet, em 31/01/2000.


                           Acton Vale, 20 de setembro de 2001

 

                Minhas queridas sobrinhas,

                Estou escrevendo esta cartinha para vocês lerem quando forem grandes. O meu intuito é transmitir-lhes o que sei sobre a sua tia, uma pessoa extraordinária, que vocês não puderam conhecer de verdade, pois eram muito pequenininhas quando ela morreu. Foi muito triste para todos nós e ela nos faz muita falta. Como ela foi e continuará a ser um exemplo a seguir, sinto-me na obrigação de contar-lhes um pouco sobre a sua vida. Assim você, Júlia, conhecerá um pouco melhor a sua madrinha e você, Laura, minha afilhada, terá uma contribuição minha no conhecimento da tia Lé, modelo inigualável. Vocês, sobrinhas que eram para ela como verdadeiras netas, como ela própria dizia, por se considerar um pouco mãe do seu pai, que ela admirava muito e de quem gostava demais, juntamente com sua mãe.
            Maria Leonídia Rodrigues Vieira nasceu em 23 de abril de 1950 e morreu de câncer, aos 29 de abril de 2001, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Mamãe, vovó Teté, sempre contou que ela nunca deu trabalho, nem para nascer, pois no seu parto ela saiu sozinha, sem nenhum esforço, para surpresa do médico, que teve que correr para segurar sua cabecinha, que "escorregou" para fora. Já aí começou sua característica independência, traço importante de sua personalidade.
            Desde a infância já mostrava sinais de bondade e inteligência: cuidava da casa desde pequena e, nos estudos, era sempre exemplar, além de líder nata entre os colegas de escola. Desde cedo, também, manifestou sua incrível habilidade na redação, com pensamento claro e objetivo. E, aqui, lembro-me de uma particularidade: tinha uma letra que jamais vi tão perfeita.
            Após terminar os estudos colegiais, quis ser professora primária, atividade em que trabalhou até que fez um concurso para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais, onde começou como oficial judiciário, no Serviço de Pagamento. Sempre gostando muito de estudar, formou-se em Letras e, depois, em Direito, tendo recebido vários prêmios de melhor aluna, entre eles o mais importante, o Prêmio Rio Branco. Sem falar nos concursos que fez, obtendo sempre o primeiro lugar. No entanto, nunca se gabou de suas qualidades e talentos. Tinha, mesmo, aversão a elogios. Mas a sua sabedoria transbordava tanto que não podia passar despercebida. No seu trabalho, foi convidada a ocupar cargos importantes e de muita responsabilidade. Foi escrevente, depois escrivã, depois assessora da Presidência do Tribunal de Justiça. Sempre muito querida por seus colegas e superiores.
            Sua diversão era tocar violão, cantar e ler. Às vezes, passava horas a ler trechos de livros para o papai, o vovô Yvon, que era uma pessoa muito culta. Os comentários que eles faziam, nestes momentos culturais, eram verdadeiras aulas para nós. Ela não gostava muito de sair de casa, a não ser para trabalhar, estudar e ir à Igreja, o que lhe tomava muito tempo. Talvez por isto, quando tinha um tempo livre, preferia ficar em casa, desfrutando do convívio familiar. Era uma pessoa muito educada e delicada, incapaz de magoar quem quer que fosse, mesmo em detrimento de seu próprio bem-estar.
            Ser sobrinha da tia Lé era algo muito especial. Conversem com suas primas, Ana Clara, Clarissa e Luisa. Elas poderão, melhor que eu, contar-lhes o que foi essa experiência. Experiência esta que vocês duas tiveram também, mas muito provavelmente não deverão-se lembrar com o passar do tempo.
            Mas no que mais a tia Lé se destacou foi no amor ao próximo, que não se limitou aos familiares, que tiveram o privilégio de conviver com ela e por ela foram muito ajudados em todos os aspectos. O seu amor estendeu-se a toda a humanidade, representada pelas crianças e adultos, a quem ela ensinava o catecismo na sua Paróquia e nas favelas, ansiando por um mundo cristão. Dedicou-se exaustivamente a esta tarefa, que julgava de suma importância.
            Eu sei quanto ela gostaria de poder ter convivido por mais tempo com vocês, para transmitir-lhes o que sabia e vê-las crescerem em bondade e beleza, no caminho único e verdadeiro que leva à VIDA, que é JESUS. Por isto peço-lhes que guardem-na no seu coração, com carinho e confiança, pois de onde ela está, no mistério da eternidade, que costumamos chamar de "céu", ela está olhando por vocês e por todos nós.
 

            Da sua tia que as ama muito,

            Maria do Carmo (Tia Du).


 
 

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