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EU TIVE INFÂNCIA
Pascal 70 IV
(fórum, 18/09/2002)

Gostei muito, Catharina! Acertou em cheio.

Identificação da turma da primeira foto da pag. 52:

Heloisa Parreiras, D. Dalva, Rosinha.

Leda Clark, Cláudio Luiz, eu (olhando de banda para quem?)

Vitinha Pedroso, Raquel Borges (ê paixão!), você (Cath), Vera Lúcia, (?)

A turminha de baixo não identifico. Afinal, eram MUITO
CRIANÇAS para que eu lhes desse atenção...

Ao fundo, na varanda, aparece o rosto de Leonor Pedroso. Como era bonita!

Adoraria saber a data dessa foto. Tenho certeza de que foi o ensaio de uma festa de Natal, da qual me lembro muito bem, até mesmo de todas as músicas que cantamos. Vocês, meninas, vestiram-se de pastoras. Isso foi ANTES da instalação do convento das Sacramentinas na Rua Major Lopes, Tia Dodora no comando. Juscelino era Governador de Minas. Papai estava em seu primeiro mandato de deputado. Nossas ruas ali em volta tinham calçamento irregular de pedra. Eu achava que o pessoal da quarta série ginasial do Dom Silvério era muito velho. Seu Castrinho ainda não montara a farmácia em frente à sua casa, Catharina. A BR-3 (hoje N. Sa. do Carmo) não tinha sido ainda aberta: corria lá o ribeirão do Acaba-Mundo, já um tanto poluido, mas cheio de peixes, que eu cheguei a pescar em um poção que se formava onde hoje é o Posto Ponte Nova. A Igreja do Carmo era um barracão de tijolo à vista, horroroso, que dava frente para a rua Grão-Mogol, por onde passava o bonde Carmo, que ia até a praça do Colégio Sion. O bairro Sion não existia. O Anchieta era um agrupamento de chácaras de produção de verduras e legumes, e como era longe! Eu trabalhei como cachorro "retriever" para Tio Luiz, nas caçadas de perdizes e codornas que ele fazia na Lagoa Seca, onde hoje está o BH Shopping: um dia ele me deixou atirar e quase me matou por eu ter matado uma siriema. Tia Esther ligava para Mamãe avisando: "O homem que grita dizendo "A empadinha! Da Dona Marta!" já passou por aqui, pedi a ele para passar aí para entregar as suas". Aos sábados Tio Mundinho ia almoçar conosco, sempre feijão-de-tropeiro, e ouvir ópera. Aos domingos era Tio Zizi, para comer a "macarronada de Teté", mãe dele e de Vovô Mário, que só a nossa cozinheira Jordelina sabia preparar. Tio Yvon trabalhava na fabricação do famoso piano. Quem de vocês lembra? Levou anos... Mãe Lili ainda morava na Sergipe. Eu e Zé João coroávamos Nossa Senhora em Santa Helena. A Pepsi-Cola chegou a Belo Horizonte, eu já a conhecia através dos anúncios na "Life en Español" que papai recebia, e que eu lia sem notar que era outra língua, para mim era só uma forma "esquisita" de se escrever  (Rosinha, aos nove anos,
ensinara-me a ler aos quatro). Estava doente, com hepatite, e o Ademar, da "Nova Mercearia", irmão do Sansão - lembra-se, Cath? - foi até minha casa levando uma garrafa. Mamãe proibiu-me de beber, Papai liberou a "extravagância" de se tomar qualquer líquido que não chá-de-picão. Em um terço na Parauna, não mais suportando as intenções mil (uma Ave Maria pela fulana, que está grávida, uma Ave Maria pelo seu João, que vai para São Paulo...), Tio Yvon bradou: "Uma Ave Maria pelo mundo!" Tio Helvécio ficou noivo de Deinha e perguntava aos sobrinhos, no caramanchão da rua Sergipe: "Ela não é igual à Marilyn Monroe?" O "clássico das multidões" era Atlético X América. O Cruzeiro não valia nada (como até hoje...) Vovô Juca me levava à Praça Sete em seu Pontiac, estacionava no meio da praça, sob os "ficus" frondosos, e me conduzia ao Café Pérola para tomar laranjada. Nós dois nos amávamos muito, e ele se ressentia do fato de eu nunca querer dormir em sua casa: eu não podia confessar meu medo de fazer xixi na cama... O Natal demorava séculos até chegar. Papai Noel me dava presentes, mas os dos primos da Rio Doce eram dados pelo Menino Jesus.
Eu tive infância.
volta

mas antes de voltar, continua...